Blog de Monica

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Baiana System em show na programação do FIAC-BA. Fila do gargarejo nervosa e cantante.



O desejo que nasce da alegria é mais forte do que o desejo que nasce da tristeza.
Espinoza


O prazer de ler

Escolhi fazer meu mestrado sobre Clarice Lispector porque queria estudar com prazer. Não somente o gozo dos livros dela. Mas para encontrar autores que dialogassem com o meu diálogo junto com ela. E que nessa conversa, fosse possível haver prazer. E cheguei nesse momento. Cheguei no momento que sentada na cadeira, lendo Gilles Deleuze eu abro um imenso sorriso e fico com vontade de sair contando o que li para todo mundo. E me reencontro com a filosofia. E perco sono com as provocações de Nietzsche e de Foucault. E a cada reencontro com meu objeto, me reinvento. Porque arte serve  para isso: para nos fazer transcender a dor. Reinventar no riso e no gozo. Evoé!


…também da enfermidade da grave suspeita voltamos renascidos, de pele mudada, mas suscetíveis, mais maldosos, com gosto mais sutil para a alegria, com língua mais delicada para todas as coisas boas, com sentidos mais risonhos, com uma segunda, mais perigosa inocência na alegria, ao mesmo tempo mais infantis e cem vezes mais refinados do que jamais fôramos antes”. Nietzche, A Gaia Ciência


Menos muchocho

Ontem fui a primeira reunião das consultoras Natura. Esta não será uma rotina, mas achei interessante para eu entender melhor a lógica daquilo que estou vendendo, ter mais idéias para captar clientes e principalmente, conhecer as outras mulheres que vendem esses produtos. Mesmo querendo dormir um pouco mais, acordei um pouco mais cedo que o habitual nos sábados e lá fui eu para o prédio onde acontecem as reuniões. As mulheres tinham muitas um quê dona Neném, um quê Marilda e outras tantas Bebel - todas personagens de A Grande Família. Eu era meio alienígena, seja por ser a única negra de cabelos crespos, seja pelo meu visual pouco comum a elas.

Estava fruindo a reunião, até entendendo as dicas e sugestões, mas lá pelas tantas me vi contagiada por uma má vontade que não era minha. E percebi que mais uma vez, estava sendo esponja. Esponja de um mal humor que não era meu. Comecei a observar em muitas uma energia de reclamação, de mal humor, de fila do INSS… e era um movimento pouco compatível com um lugar que mal ou bem você está por que quer. Ninguém é obrigado é revender produtos e menos ainda para ir às reuniões. São escolhas.

E via reclamação porque tinha sorteio, reclamação porque seu número não saiu, reclamação porque o brinde que a gerente pegou os dados era para outro encontro, reclamação porque o biscoito não era da marca que gostava, reclamação do ar condicionado, reclamação de tanta coisa… daí comecei a me perguntar, por que a gente age como se estivéssemos sendo contrariadas e obrigadas às coisas o tempo todo, quando estamos em muitas situações, lugares e envolvimentos por nossa própria escolha. Por que preferir a energia da cara amarrada, do muchocho e do mal humor, quando seria mais fácil agir com bom humor.

Não reuniões de Natura não são divertidas. Divertido é estar na praia tomando sol e comendo caranguejo. Mas eu inventei de vender Natura, porque gosto de cosmética, maquiagem e resolvi fazer da minha antiga compulsão de consumo, uma estratégia de ganhar dinheiro. Ou pagar o que consumo. Por que vou reclamar de ter uma reunião que é uma vez por mês e nem sou obrigada ai, sem contar que saio cheia de coisinhas para alavancar minhas próprias vendas? Ninguém te obriga.

Ninguém te obriga a tanta coisa. Ninguém te obriga a estudar. Você estuda porque quer, então não reclama de ter que fazer exercício. Ninguém me obrigou a estudar francês. Não tenho porque chiar de ter aulas e deveres. Nem sou obrigada a fazer abdominais. Dói, mas faz parte de um projeto maior de beleza que eu quem inventei. 

De ver as caras retorcidas de mal humor das mulheres, me vi um pouco nesses tempos estressada, reclamando. Não quero isso. Não condiz com o que quero. Se trabalho muito, foi uma escolha minha. Se tenho dívidas, foi uma escolha minha, que quero mudar agora. Eu escolho. Que arque com as escolhas com bom humor e sorriso na cara. E que a vida seja doce para quem souber aproveitar dela. 



Numa ida ao Shopping Salvador para almoçar com dois amigos passei pela frente da Sonho dos Pés e me rendi a esse par de sapatos.


Consumo escravo

Sabe aquilo que eu falava no meu post anterior, de comprar sem noção, sem responsabilidade, sem necessidade…pois é. Não dá para sustentar esse consumo, que escraviza gente como eu, escrava do cartão de crédito (nova escravidão moderna) e que por sua vez, escraviza gente pobre, desesperada por trabalho. Cargas horárias que lembram a revolução industrial (em torno de 16 horas por dia), valores pagos irrisórios e violência física. Eu não quero compactuar com isso. Tem gente que não tá nem aí, eu sei… Mas essas pessoas eu não quero nem para jogar peteca. Se você não é dessa galera, leia atentamente essa matéria e exclua essas lojas do seu rol de consumo.



Bem, estou há cinco dias da minha ultima compra. Uma bela saia preta comprida. A idéia agora é se possível terminar o ano sem comprar nenhuma roupa, nenhum sapato e nenhuma bolsa. Me virar com tudo o que tenho, recriando, trocando e explorando o que meu guarda-roupas me garante.
Um pensamento inicial é deixar de ser escrava e no futuro comprar com mais consciência. Acabar com o vicio do fast fashion e da gastação desenfreada. Comprar com responsabilidade com meu consumo e com o que compro (essa peça fofa e barata que tô levando é tão barata porque mesmo em minha gente? Ou a malha é vagabunda ou tem trabalho escravo no meio).



Este é meu guarda-roupas. E lhe garanto que ele está amarrotado de peças. Calças, saias, blusas, vestidos… Cheio. Estou me lançando o desafio de não o encher mais até o Réveillon. Desafio bobo, pode ser. Mas quem me conhece sabe o quanto amo sapato, roupa, bolsa… Quatro meses sem peças de roupa novas será uma novidade em minha vida adulta e o fim do meu endividamento estúpido e irresponsável, buscando suprir falta de tantas outras coisas, que não serão repostas num vestido novo da Renner.


Júlia Petit ensina make Beyonce

Corajosamente e com muita dignidade, Júlia Petit ensina a fazer uma das muitas e fabulosas maquiagens de Beyonce. Acompanhem o passo a passo. Vamos ver quem consegue, porque o babado é fortíssimo.


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